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Escrita

O processo pelo qual o homem aprendeu a encorporar sua linguagem em escrita é um dos grandes milagres na história da civilização humana, e jaz no coração de seu sucesso como uma espécie. É o método através do qual a memória coletiva pode ser mantida e a informação armazenada; é a mídia para o relato de histórias; e provê os meios essenciais pelos quais homens poderiam construir impérios e geri-los. (Donald Jackson, The Story of Writing)

Jacques Rancière

  • "O conceito de escrita é político porque é o conceito de um ato sujeito a um desdobramento e a uma disjunção essenciais...uma relação da mão que traça linhas ou signos com o corpo que ela prolonga; desse corpo com a alma que o anima e com os outros corpos com os quais ela forma uma comunidade..." (Políticas de Escrita, pag 7).

Platão - A Primeira Catástrofe

Diálogo de Platão - FEDRO


"Sócrates: Só resta, então, falar sobre o que convém e o que não convém escrever, e examinar quando essa arte é bem ou mal empregada. Está certo?

Fedro: Sim.

Sócrates: Sabes tu como se pode ser mais agradável aos deuses, em ações ou em discursos?

Fedro: Não, e tu sabe?

Sócrates: Tenho vontade de contar-te uma história transmitida pelos antigos; se ela é verdadeira ou falsa, só deus sabe. Afinal, se nós pudéssemos conhecer a verdade haveríamos de nos preocupar com o que dizem os homens?

Fedro: O que dizes é curioso. Conta-me essa história que dizes ter ouvido!

Sócrates: Bem, ouvi dizer que na região de Naucratis, no Egito, houve um dos velhos deuses daquele íbis. Quanto ao deus, porém, chamava-se Thoth. Foi ele que inventou o número e o cálculo, a geometria e a astronomia, o jogo de damas e os dados, e também a escrita. Naquele tempo governava todo o Egito, Tamuz, que residia ao sul do país, na grande cidade que os egípcios chamam Tebas do Egito, e a esse deus davam o nome e Amon. Thoth foi ter com ele e mostrou-lhe as suas artes, dizendo que elas deviam ser ensinadas aos egípcios. Mas, o outro quis saber a utilidade de cada uma, e enquanto o inventor explicava, ele censurava ou elogiava, conforme essas artes lhe pareciam boas ou más. Dizem que Tamuz fez a Thoth diversas exposições sobre cada arte, condenações ou louvores cuja menção seria por demais extensa. Quando chagaram à escrita, disse Thoth: 'Esta arte, caro rei, tornará os egípcios mais sábios e lhes fortalecerá a memória; portanto, com a sabedoria.' Responde Tamuz: 'Grande artista Thoth! Não é a mesma coisa inventar uma arte e julgar da utilidade ou prejuízo que advirá aos que a exercerem. Tu, como pai da escrita, esperas dela com teu entusiasmo precisamente o contrário do que ela pode fazer. Tal coisa tornará os homens esquecidos, pois deixarão de cultivar a memória; confiando apenas nos livros escritos, só se lembrarão de um assunto exteriormente e por meio de sinais, e não em si mesmos. Logo, tu não inventaste um auxiliar para a memória, mas apenas para a recordação. Transmites aos teus alunos uma aparência de sabedoria, e não a verdade, pois eles recebem muitas informações sem instrução e se consideram homens de grande saber, embora sejam ignorantes na maior parte dos assuntos. Em conseqüência serão desagradáveis companheiros, tornar-se-ão sábios imaginários ao invés de verdadeiros sábios.

(...)

E, uma vez escrito, um discurso sai a vagar por toda parte, não só entre os conhecedores mas também entre os que não o entendem, e nunca se pode dizer para quem serve e para quem não serve. Quando é desprezado ou injustamente censurado, necessita de auxílio do pai, pois não é capaz de defender-se nem de se proteger por si".

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