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TERMOS E NOÇÕES — WEB (WORLD WIDE WEB)


O ciberespaço é sustentado pela integração progressiva das tecnologias da informação e da comunicação. Estas tecnologias, há mais de 30 anos, vêm sendo aplicadas, avançando passo a passo num processo de informatização de postos de trabalho, de domicílios, e ultimamente das próprias pessoas pela computação móvel (microcoletores, notebooks, laptops, etc). Privilegiando inicialmente a informatização do meio científico, até para garantir o enriquecimento da tecnologia, passando em seguida para a informatização da burocracia estatal e das empresas. A informática se concentrou originalmente em um único ponto chave nas organizações, de onde começou a estender seus tentáculos, por meio de redes privativas, internas à própria organização, e em seguida, redes inter-organizacionais.

Essas redes se expandiram para cobrir espaços físicos e sociais cada vez maiores, abarcando a expansão dos negócios das organizações públicas e privadas, e instalando, pela crescente evolução das tecnologias da informação e da comunicação, intermediários mais “inteligentes” entre seus sistemas centrais de computação e seus clientes e usuários. Com o aprimoramento crescente da tecnologia, para distribuição da informática, assim como de novas possibilidades de integração destes recursos em redes de comunicações, um processo anárquico (latu sensu) se instaurou, abalando dramaticamente estruturas estatais e organizacionais, a ponto de só se falar em reformas administrativas, e mais modernamente em reengenharias de processos e empresas.

Ao longo deste percurso relâmpago pela história da informatização das organizações, algumas redes se destacaram, ao se estabeleceram por iniciativa e apoio do Estado (Internet), pela associação e suporte de entidades financeiras (Swift), ou pelo empenho e dedicação de uma comunidade de usuários de informática (Usenet) ou de pesquisadores (Bitnet). Essas redes conseguiram angariar a adesão de redes institucionais públicas e privadas, como foi o caso da Internet, englobando em grande parte a funcionalidade destas sub-redes. Elas ganharam deste modo uma presença marcante no cenário mundial, com o poder de determinar padrões técnicos para os fornecedores de tecnologia de informação e de comunicação, para os clientes/usuários das redes e até para os organismos internacionais de padronização.

Assiste-se ainda a esse processo de conexão e costura de redes privadas, públicas e internacionais formando uma grande teia, a chamada World Wide Web. Caminha-se para constituição e instituição da rede das redes, promovida por uma avalanche de discursos formais e informais, científicos e leigos, que pregam a grandeza e as maravilhas da grande teia, urdida a partir de uma trama central, a Internet. Ao longo deste processo, a arquitetura das redes públicas e privadas é reconfigurada em seus entrelaçamento na teia principal da Internet. Compõe-se um enorme tear tecnológico, sobre o qual se tece uma malha global sobre a qual se bordam: as redes internas das organizações, estendidas sobre seus negócios e clientes, às escalas local e global, e estendidas também sobre os domicílios de seus empregados (por iniciativa empresarial ou individual); as redes institucionais constituídas pela estrutura governamental em seus diversos níveis; e, as redes comerciais e não comercias de serviços de comunicação e de informação.

Essa rede das redes, como apregoava o ex-vice-presidente americano Al Gore, se assentaria sobre a chamada Information Highway, e seria vivificada por uma série de serviços eletrônicos, disponíveis e territorializados anteriormente nas redes individuais, além de novos serviços e facilidades, que, em conformidade com a linguagem e a lógica padronizada dentro deste mundo-rede (networld), potencializariam definitivamente a emergência de um novo espaço antropológico, onde se realizariam contatos, encontros, fóruns, negócios, estudos, pesquisas, terapias, e até sexo!

É o comando sobre os processos de mundialização das redes de informação e de comunicação que vai decidir a questão da nova divisão internacional do poder. O poder se encaminha rapidamente para a hierarquização da divisão internacional da propriedade do saber, da propriedade desta matéria prima, cujo custo determina de maneira cada vez maior os preços relativos dos bens e dos serviços transacionados à nível internacional. Motivo pelo qual, Michel Serres (1994, pg. 153), nos convida a pensar: “quem comandará o novo universo? A rede ela mesma? Que ilha única sobre a rede? Aquele que a detiver? (...) Como prática das acumulações realizadas, o capital arrisca-se a não se levantar dos golpes possíveis, ou de se reforçar, ao contrário, se tornando ele próprio virtual e se apropriando do mundo dos realizáveis, sem lacuna, nem exceção, portanto, o espaço, o tempo, as coisas e os homens, o devir da história? Voltamos a guerra total pela apropriação sem fronteira.”

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