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TERMOS E NOÇÕES — COMPUTADOR


VIDE: FILOSOFIA DA INFORMÁTICA

Adaptado de BRETON, Philippe (1990): “Le sens des mots: l’apparition des termes ‘informatique’, ‘ordinateur’ et ‘information’”, in Frank Tinland (ed.), La techno-science en question. Seyssel, Champ Vallon.

Em 1955, foi proposto, por Jacques Perret, professor da Sorbonne, o termo ordinateur (ordenador, em francês), a pedido da companhia IBM-France. Para Breton, o objetivo parece ter sido de individualizar, por um nome especial, as calculadoras eletrônicas digitais que a companhia produzia àquela época, ao mesmo tempo que pretendia indicar que estas calculadoras podiam preencher além das funções numéricas, funções sociais dentro das organizações e da própria sociedade.

Sob este duplo interesse, também podemos dizer que se velava um jogo geopolítico de afirmação da França, neste cenário emergente da informática, através da definição de uma linguagem própria, em língua francesa.

É interessante notar, como o faz Breton, que a escolha terminológica de Perret, se baseou, segundo uma carta do próprio Perret, no vocabulário religioso, por mais distante que este possa ser do objeto designado e de seu novo contexto técnico. Efetivamente, ordenador designa a função daquele que confere uma ordem na Igreja. O ordenador é aquele que pratica a ordenação.

Mas ordenador é também um adjetivo, em francês, segundo Breton. Um qualificador de ordem e arranjo. Desta maneira, este nome novo para a calculadora afigurava-se, desde o princípio, alinhado com o projeto social e cognitivo das emergentes tecnologias da informação. Embora seus progenitores, na década de 40, divergissem a principio sobre o destino do computador: uma máquina de calculo, para von Neumann, ou uma máquina de comunicação, para Wiener, seu projeto e seus princípios maiores foram elaborados no final da última grande guerra, por Norbert Wiener, John von Neumann, Alain Turing e Warren McCulloch (Dupuy, 1995). Em 1944 era lançado aquele que foi considerado o primeiro computador, o ENIAC - Electronic Numerical Integrator and Calculator, substituído pouco após, segundo as alterações propostas por von Neumann, pelo EDVAC - Electronic Discrete Variable Automatic Computer. Breton, 1990

O termo francês, ordinateur, prenuncia muito melhor a universalidade desta máquina, que revolucionaria a sociedade neste final de século. A denominação em língua inglesa, inicialmente calculador(a), e, logo em seguida, computador, vela sob seu pragmatismo, o destino maior deste instrumento. Embora possamos dizer que também se esconde sob a denominação computador, uma designação religiosa, a do computus latino, referindo-se ao método de computar as datas das festas móveis no calendário eclesiástico anual.

Com o avanço da teoria da cibernética, nos anos 60 e 70, influenciando sobremaneira as demais ciências, e as técnicas em geral, se popularizou a ideia de “máquina inteligente”, de “cérebro eletrônico”. Uma nova geração de máquinas, utilizando mecanismos sofisticados de regulação, em hardware e em software, se ofereciam como possíveis substitutos do homem em tarefas repetitivas, com mínima criatividade. A implementação do computador como componente destes sistemas, como seu centro de inteligência, seu “cérebro eletrônico”, deu um vigor maior para a terminologia anglo-saxônica, em detrimento da francesa, ordinateur; ao mesmo tempo que se manifestava a hegemonia dos Estados Unidos neste cenário.

Quanto ao termo informática, mais novo (1962) que computador, trata-se de uma concatenação de duas palavras que o precederam. Sobre exatamente que palavras, ainda existe alguma controvérsia. Breton nos informa sobre duas interpretações diferentes: para alguns, fusão de informação e automática; e, para outros, “tica” é um sufixo associado à informação, com o propósito de indicar um domínio científico ou técnico, como em linguistica.

Qualquer que seja sua origem, estamos lidando com uma ciência ou uma técnica de tratamento da informação. Neste sentido, uma tecnociência com uma proposta de método universal para operar com dados de qualquer campo de estudo ou de atividade humanos. A questão crucial vai ser justamente colocada, sobre a caracterização deste objeto a ser tratado pela informática: a informação. Uma vez conceituada a informação, em qualquer disciplina ou atividade, estamos mais aptos para discutir em seguida, a adequação do método, a informática.

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