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id da página: 43 MARTIN HEIDEGGER (1889-1976)
PENSADORES DA HERMENÊUTICA — MARTIN HEIDEGGER (1889-1976)

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Fato que só recentemente se concretizou, foi no século XX que o movimento hermenêutico ganhou o status de uma teoria filosófica de interpretação, visto que somente a partir de Heidegger a ontologia se mescla a hermenêutica. De fato, foi após a contribuição de Heidegger a hermenêutica deixou de lado a pura orientação metodológica para uma orientação filosófica.

As teorias e métodos hermenêuticos se desenvolveram de tal modo que ficou para trás o hermeneuta, o Dasein (a pre-sença) no ocupar-se de uma interpretação de um discurso, assim como o Dasein no ocupar-se da autoria de um discurso. Estas subjetividades foram ofuscadas pelo predomínio do objeto e do método hermenêuticos.

A filosofia hermenêutica em relação às teorias hermenêuticas, pode ser caracterizada como o resgate de um a priori a qualquer interpretação: a própria interpretação do Dasein (da pre-sença). Redireciona-se a teoria, seu método e sua forma de objetivação do interpretado, para a necessária análise transcendental, que através da interpretação do Dasein (da pre-sença), examina a constituição de qualquer compreensão a partir da existência. “A pre-sença é um ente que, na compreensão de seu ser, com ele se relaciona e comporta. Com isso indica-se o conceito formal de existência. A pre-sença existe” (Heidegger, 1986/1998, pág. 90).

Enquanto a teoria hermenêutica pretendia alcançar esta descrição das condições existenciais do autor e do intérprete, na conclusão de uma seqüência de aplicação de seu método, a filosofia hermenêutica afirma que só o reconhecimento desse a priori existencial de um autor, de um intérprete, de um discurso entre os dois, e até mesmo de um método hermenêutico, como condição de partida de uma hermenêutica, pode assegurar algum sucesso, no sentido de que algo se suceda, como no caso uma interpretação.
Segundo Jean_Grondin (2003), a concepção heideggeriana da hermenêutica é ela mesma um affaire bastante complexo, na medida em que começam a se publicar os cursos de Heidegger logo após a primeira grande guerra. Desta maneira, Jean_Grondin propõe três grandes concepções da hermenêutica em Heidegger, que se entrelaçam:

  • a primeira, denominada “hermenêutica da facticidade”, que antecede a obra “Ser e Tempo”;

  • a terceira, mas tardia, a hermenêutica da história da metafísica.


Farei uma breve reflexão dos dois primeiros movimentos, visto que estes foram os que mais contribuíram para a tradição que se seguiu com Ricouer e Gadamer. Então, a partir do primeiro movimento hermenêutico citado, o que é exatamente a “hermenêutica da facticidade”? Como hermenêutica ela busca uma interpretação, mas desta feita não de obras ou discursos, mas deste fato que sou, enquanto ato ou fato humano. A facticidade designa para Heidegger o caráter próprio a nosso Dasein, que não pode ser apreendido como objeto, como “algo posto diante de mim”, pois isto seria como ver meu olho sem um espelho. A pre-sença não é cotidianamente um objeto de contemplação, ela é ocupação em um fato ou um ato, ela vive na “cura”. Esta é a facticidade a ser interpretada por uma hermenêutica da facticidade.

Em continuidade da hermenêutica da facticidade porém com tonalidade peculiares a hermenêutica exposta por Heidegger em sua obra Ser e Tempo, se distingue primeiro por uma ênfase no Dasein (pre-sença) segundo uma perspectiva mas existencial, e segundo por sua associação forte com a questão do ser, que domina esta obra.

Embora a questão do ser desponta-se desde a origem do pensamento de Heidegger, foi em Ser e Tempo que ela ganhou seu estatuto que irá marcar sua reflexão filosófica, sendo a hermenêutica determinante para a abordagem desta questão de origem aristotélica, sob a formulação da busca necessária pelo sentido do ser.

Essa tonalidade que diferencia a hermenêutica do Dasein da anterior se anuncia de imediato na obra Ser e Tempo: em seu conteúdo, a fenomenologia é a ciência do ser dos entes é ontologia. Ao se esclarecer as tarefas de uma ontologia, surgiu a necessidade de uma ontologia fundamental, que possui como tema a pre-sença, isto é, o ente dotado de um privilégio ôntico ontológico. Pois somente a ontologia fundamental pode-se colocar diante do problema cardeal, a saber, da questão sobre o sentido do ser em geral. Da própria investigação resulta que o sentido metódico da descrição fenomenológica é interpretação. O logos da fenomenologia da pre-sença possui o caráter de hermeneuein. Por meio deste hermeneuein proclamam se o sentido do ser a as estruturas ontológicas fundamentais da pre-sença para a sua compreensão ontológica constitutiva. Fenomenologia da pre-sença é hermenêutica no sentido originário da palavra em que se designa o ofício de interpretar. Na medida, porém, em que se desvendam o sentido do ser a as estruturas fundamentais da pre-sença em geral, abre se o horizonte para qualquer investigação ontológica ulterior dos entes não dotados do caráter da pre-sença. A hermenêutica da pre-sença torna se também uma "hermenêutica" no sentido de elaboração das condições de possibilidade de toda investigação ontológica. E, por fim, visto que a pre-sença, enquanto ente na possibilidade da existência, possui um primado ontológico frente a qualquer outro ente, a hermenêutica da pre-sença como interpretação ontológica de si mesma adquire um terceiro sentido específico - sentido primário do ponto de vista filosófico - a saber, o sentido de uma analítica da existencialidade da existência. Trata se de uma hermenêutica que elabora ontologicamente a historicidade da pre-sença como condição ôntica de possibilidade da história fatual. Por isso é que, radicada na hermenêutica da pre-sença, a metodologia das ciências históricas do espírito só pode receber a denominação de hermenêutica em sentido derivado. (Heidegger, 1986/1998, pág. 68)

Segundo Jean_Grondin (2003), nesta longa citação de Ser e Tempo distinguem-se quatro grandes significações do termo hermenêutica, nesta etapa do pensamento de Heidegger. A hermenêutica enquanto logos do termo fenomenologia é mais relevante na medida em que por ela o Dasein é reconhecido em termos do sentido autêntico do ser que manifesta e das estruturas fundamentais que o sustentam em uma manifestação autêntica do ser. Este novo direcionamento, diferencia a hermenêutica do Dasein em relação à hermenêutica da facticidade, pela tarefa bem definida de esclarecer “o sentido verdadeiro do ser”. Ao mesmo tempo, que a formulação dos existenciais, como elementos das estruturas fundamentais do Dasein, nos indica a tentativa de uma universalização das reflexões anteriores sobre a facticidade individual. A hermenêutica ganha uma orientação ontológica segundo “o sentido de uma analítica da existencialidade da existência”.

Por outro lado Dasein é caracterizado por sua compreensão do ser, ou seja o sentido do ser neste caso só pode ser interpretado a partir de uma pré-compreeensão. O ponto adotado pela filosofia transcendental, o cogito ergo sum de Descartes, se situa agora no existencial ser-no-mundo, que caracteriza a pre-sença. As condições de possibilidade de conhecimento são dadas pela compreensão do ser da pre-sença, única capaz de pro-ver a compreensão que se busca por exemplo de um discurso.

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